Arquivo do autor:Mariana Nobre

Efemeridade de ser

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Faltam 1 ano e 4 meses para eu chegar aos 30. Sei que não sou a única, mas acredito estar no grupo das minorias que, ao contrário de estar com medo, estou é ansiosa para esse dia chegar logo. Eu que sempre fui taxada como certinha e responsável, no fundo sabia que era apenas uma criança e “sofria” por me cobrarem ações e pensamentos que eu ainda não estava pronta. A timidez … ahh a timidez. Essa atrapalhou mais ainda. Mas eu sobrevivi. Foi muita luta interna pra conseguir fugir dos rótulos.

Mas ao mesmo tempo em que eu era uma criança, eu queria crescer de fato. Mas do meu jeito. Que é único, só meu. E pra achar a Mariana foi foda. Foda porque tracei mil planos, esbocei várias personalidades e nunca ficava satisfeita.

Aí eu fiz 28 anos. E foi quando decidi que tava na hora de me dar um tapa na cara pra acordar e assumir.

Eu me pego rindo todos os dias de mim mesma. Cada coisa que eu tenho feito, que antes eu não fazia. Cada coisa que eu sinto o maior prazer em fazer. Me pego rindo e pensando: “porra, porque eu me escondi tanto tempo??”. Estou ouvindo músicas e desejando coisas que há 1 ano atrás jamais imaginei que iria fazer. Ou que negava, que dizia detestar. Dar-se um tapa na cara é bom.

Preciso, é claro, agradecer a algumas pessoas que passaram em minha vida e de certa forma ajudaram a formular isso, mesmo que indiretamente.

Mas a todos, nesse post curtinho, só preciso dizer: se resgatem!

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Listando

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Eu faço (ou tento) blogs há uns 11 ou 12 anos e sempre quis fazer listinhas. Porque? Porque é legal! Mas eu sempre tava ocupada rosnando e resmungando. Então, pra comemorar minha fase (bem) mais leve, resolvi fazer uma listinha do que tenho ouvido ultimamente para compartilhar com vocês!

1. World of Omnia – Saltatio Vita (Pagan Folk / um dos meus sonhos é ir num show deles … uma pena que não façam tour na América Latina).

2. Estas Tonne – The Song of the Golden Dragon (Universal Music / Folk – conheci esse cara através da Bela Vrask – me apaixonei mais pelo som do violão).

3. Bassnectar – Timestretch (Dubstep / essa foi a música de uma coreografia que a professora Raphaella De La Fuente criou e levou para um workshop de tribal fusion em Abril, na Escola de Artes Orientais Asmahan – onde estou até hoje).

4. Light in Babylon – Hinech Yafa (eu não sei dizer em que gênero musical encaixaria eles, mas é um grupo musical turco, com composições de etnias e culturas variadas, especialmente as sefarditas – judeus da península ibérica / fiz questão de comprar o último álbum).

5. Beats Antique – Tabla Toy (é uma banda que faz um mix musical e performático – um dos integrantes é a bailarina de tribal fusion Zoe Jakes – e por favor, não confundam o visual dela com o gótico).

Bjs! 😉

Tomando posse

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Passei exatamente 1 semana doente: primeiro veio uma gripe forte na sexta e depois, na sexta seguinte, enjoo e uma forte dor estomacal, provavelmente por causa da comilança da festa julina na escola embaixo do sol. Na primeira vez pude faltar o trabalho. Na segunda não deu pra escapar, mesmo que além das dores ainda estivesse com coriza, muco, tosse, etc, etc … E no tal dia, fui pra terapia. A terapeuta, depois de ouvir mais um desabafo, sugeriu: será que esse monte de mal estar não tem a ver com o seu emocional? o_O

Mas é claro que tem! Como sempre teve!! Sempre piorei das crises de rinite diante do estresse. Sempre tive problemas gastrointestinais diante da ansiedade.

Diante do “diagnóstico”, a receita: relaxar e pensar em mim mesma e nas coisas que gosto de fazer. E arte! Voltar para a arte!

Então acordei no sábado, disposta a fazer tudo isso. Não foi muito fácil esquecer todo o estresse que eu venho passando (quando isso vai acabar hein?!), mas me esforcei. Me segurei para não pensar muito em trabalho (devendo planejamento bimestral) e outras coisinhas mais. Procrastinei demais, e vi uns dois filmes: “Not Another Teen Movie” (me julguem!) e “The Mortal Instruments: City of Bones” (que é tão ruim que vai merecer um post-crítica só sobre ele, aproveitando pra lançar um tipo de post que não costumo fazer). Diana pedindo muito carinho, mas tadinha … minha filha-felina ficou meio de lado porque eu PRECISAVA me resgatar. Fui dormir, com uma sensação nada boa de que faltava algo.

E aí chegou o domingo.

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Normalmente odeio domingos. Mas por causa de uma troca de lençol na janela do quarto (estou na casa do meu pai, e ele não colocou cortinas ainda) para um mais fino, por volta das 6h30 já estava acordando com a claridade. Às 7h30 meu pai ligou pedindo para abrir uma porta trancada. Não consegui dormir mais. Esperei o suficiente para estar só de novo, quando ele saísse para a praia, e levantei. Os sintomas da “gripe” tinham diminuído 90%. As dores estomacais sumiram e com ela a fome. Tomei um bom café da manhã, arrumei o que tinha que arrumar na casa, ajeitei as coisas da Diana e fui para a varanda tomar sol e fazer o que eu estava devendo: arte. Lá tem uma orquídea novinha, linda de se desenhar. Mas eu estava com o celular na mão. E resolvi fotografar um ninho de passarinho na samambaia. E dali pulei pra fotografar a Diana (de novo, vira vício … adote um bicho e entenderá). Gostei tanto do resultado que lembrei de uma fala da Flávia (a terapeuta): do que você gosta? Desenho, pintura, fotografia …? Putz, faz um tempo que morro de vontade de investir em uma câmera semi-pro. Eu nem acho que tenho um p* olho pra fotografia, mas eu gosto. E uma câmera minimamente decente me ajudaria bastante. Mas eu não tenho ainda … foi na câmera do celular mesmo (só pra constar, um Moto G … a câmera principal às vezes dá pro gasto).

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Mas percebi que me vi fotografando as mesmas coisas de sempre, na varanda. Na torre. No enclausuramento. Senti um ímpeto gigante de sair correndo e fotografar outras coisas. Olhei para o céu azul como não olhava há muito tempo e lembrei o quanto estou perto da praia. E aí troquei de roupa, dei um beijo na filha-felina e saí.

E caminhando lembrei que não fazia isso há um bom tempo. Há longos anos não ia à praia com tamanho prazer. Eu “parei de gostar” de praia quando tinha uns 16 anos mais ou menos. Entrei numa fase nova e a praia foi esquecida. Porque achava que não cabia. Quando ia à praia e mais tarde quando vinha até o bairro do Recreio dos Bandeirantes, era pra agradar e visitar meu pai e minha irmã. Eu achava que não gostava mais. Ilusão. Voltas e voltas na vida, ainda vinha por vários motivos, menos o mais antigo e primitivo.

Agora estou aqui de novo, por necessidade. E percorrendo sozinha o caminho até a praia, reparei em algo. Caramba … isso aqui é meu! Há 29 anos isso tudo aqui é meu! É minha herança. Frequento este lugar desde quando ainda estava no ventre de minha mãe. Porque eu me afastei?

Bom, aqui estão as fotos do resgate. Já tirei fotos parecidas há pouco tempo, mas nenhuma delas tem o poder e emoção que as de hoje têm. Também tem as fotos do caminho de volta e da decisão de não esquecer de mim além da praia. Espero que gostem. 🙂

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Para fechar, recomendado pela amiga Graciele e que tem tudo a ver com meu caminho:

Noite sem Lua, Mestre Toni Vargas

Jagged little pills

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  •  Outro dia vi um post sendo compartilhado por páginas de humor (duvidoso) zoando um pai que comemorou a menarca da filha na internet. Muita gente dizendo que era desnecessário, muita gente sendo babaca e ofendendo, muita gente que nem perguntou porque ele fez isso e se a menina se importou negativamente com o ato. A minha grande (e velha) questão é: qual o problema em falar sobre MENSTRUAÇÃO??? Sério … Não consigo entender porque as pessoas se incomodam TANTO com as coisas mais naturais e comuns do mundo como espirrar, peidar, cagar, mijar, arrotar, ejacular, gozar … menstruar (sem eufemismo mesmo).
  • Ainda não tinha escrito aqui no blog sobre a gatinha que adotei. Seu nome é Diana.

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Ter ela como companhia tem sido um aprendizado diário. A começar porque de todos os poucos animais que fizeram parte da minha vida de forma direta, estes foram cães e peixes (que não interagem muito). Bom, minha irmã tem dois gatos, mas ela vive em São Paulo e quase não os vejo. Minha família sempre teve um bocado de preconceito sobre gatos, e isso não me ajudou a chegar muito perto deles. Ou seja: estou cada dia mais procurando ajudar no que posso os animais, mas conhecimentos sobre gatos eram iguais a 0. Até que eu decidi que tava na hora de ir morar sozinha, e quando esse dia chegasse eu resolvi adotar um animalzinho: para dar abrigo e carinho a um ser que foi abandonado e para ter companhia. Como cães necessitam de mais espaço e precisam ir na rua, e eu não teria tempo para isso, a Elisa (minha irmã) sugeriu que eu adotasse logo dois, para um fazer companhia ao outro e eu fazer minha vida na Matrix (vulgo trabalho, yoga, dança, terapia, amigos, etc, etc) com mais tranquilidade. Daí tava decidido: adotaria dois gatos (da Suipa) assim que me mudasse. Mas é claro que, como muitas coisas na minha vida, tudo percorreu um caminho diferente. Um casal de amigos descobriu uma gatinha no quintal de um deles ainda no início de junho. Os pais não permitiram que ele ficasse com a gata, e começamos a procurar um lar. Foi aí que inventei de falar: “se alguém pudesse ficar com ela durante 4 meses até eu me mudar, adotava numa boa”. Resumindo: até arrumamos um lar temporário, mas me apeguei tanto a criatura, que por causa de uma adaptação fail com a nossa cachorrinha, vim passar uns tempos com meu pai. Tem sido bom pelo seguinte motivo: preciso passar muito tempo fora de casa, especialmente por causa do trabalho e porque o trabalho fica longe pra kct* daqui, então a Diana está aprendendo a ficar sozinha logo (meu pai não fica muito tempo em casa e ele só faz um carinho e leva para tomar sol) e não sei quando vou poder adotar outro. E todas essas mudanças na minha vida têm sido tão estressantes (porque tem que ser mesmo, senão a pedra no caminho vira muralha) que estava chegando em casa pra baixo. Reparei que a gata parou de brincar e dormia demais. Fiquei preocupada. Tentava brincar, e nada. Até que ontem, cheguei em casa depois de um dia ótimo no trabalho e depois de ter recebido uma notícia muito boa. Cheguei com um humor tão bom, que consegui contagiar a Diana. E lembrei: “claro!!! os animais de estimação percebem as energias ambientais melhor que a gente!”. Aí descobri a chave: agora tem um ser vivo que depende absolutamente de mim e até mesmo sua saúde mental espera um atitude minha; ficando bem, consigo que a gatinha também fique. Como não quero ser responsável pela apatia de um animal ainda tão novo, PRECISO ficar bem. Hoje ela brincou de novo: correu como não fazia há dias. Isso me ajuda a entender que agora é por nós duas que tenho que correr atrás de ser feliz.

  • Essa semana “participei” involuntariamente do seguinte diálogo:

– Vó: “Lúcia (minha mãe), com quantos anos você casou?”

– Lúcia: “Com 27 anos”.

– Vó: “Elisa (minha irmã), com quantos anos você casou?”

– Elisa: “Com 26 anos”.

– Vó: “Ih, então a Mariana (sim, eu) tá atrasada”. XD

Eu jamais vou desrespeitar uma senhora de 86 anos (que também é minha avó e madrinha) por causa de uma opinião oriunda de sua criação patriarcal do início do século XX. Mas incomodou. Incomodou porque tenho aprendido cada dia mais com o feminismo, mas ainda preciso lidar com isso na minha própria família. =/

  • “Jagged little pill” é, para quem não conhece, um álbum da cantora canadense Alanis Morissette (<3). Ultimamente, como podem perceber neste post, tem coisas demais difíceis de engolir. Converso muito comigo mesma (e me dou broncas) sobre isso: até que ponto preciso me entregar por completo ao manifesto e em que ponto preciso engolir sapos, já que o mundo de contos de fada foi pro saco ad infinitum? Na verdade, gosto de flutuar entre os dois extremos. Isso ajuda a chegar num equilíbrio. Coisa que me faltou em alguns relacionamentos. Vivendo e aprendendo … fazer o quê?!
  • Navegando na internet, uma amiga compartilhou esse ótimo blog, o “A maior digressão do mundo“. O post do dia 17 de julho veio com uma lista de textos em outros blogs, especialmente sobre o empoderamento feminino. Acabei lendo esse aqui logo de cara: Pelo direito de envelhecer, e é de uma mulher de 33 anos, que há dois decidiu assumir os cabelos brancos. Claro que me identifiquei e recomendo, muitíssimo. A autora do blog “A Maior (…)” também sugeriu outra lista só com mulheres no rock. Por isso, fecho esse post (meio mau humorado) com “Ovelha Negra”, de Rita Lee:

Linhas de prata

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Cronos

Cronos, 2008 – nanquim sobre papel, técnica mista. Trabalho final de Desenho III na Escola de Belas Artes da UFRJ.

Mais ou menos quando eu tinha 17 anos, começaram a surgir um ou dois fiozinhos de cabelo branco. E eu arrancava. Cada vez que achava um, arrancava sem piedade.

Daí eles começaram a aumentar. Ficou difícil arrancar … é dolorido tirar vários né? Então, resolvi pintar. Como meu cabelo sempre foi escuro, pintar de vermelhão ou azul não era uma opção lá muito viável. Então pintava de preto, às vezes de borgonha, vermelho cereja pra deixar ele com brilho vermelho no sol.

Ficava legal às vezes, bonito. Mas não durava muito. O cabelo crescia, o dinheiro ainda não aparecia, e os fios brancos voltavam a aparecer na raiz. Eram poucos ainda. Mas me incomodavam tanto, que assim que eu podia, comprava a tinta e pintava de novo.

“Nunca” entendi porque me incomodava tanto. Não fui uma adolescente muito ativa, e a juventude não era um ideal. Nunca tive medo de envelhecer.

Mas no fundo eu sabia que era a velha história: se preocupar com os olhos e opiniões alheias. Uma pessoa que eu gostava e respeitava muito falou algo sobre desleixo uma vez. Não lembro exatamente o contexto e nem a frase. Mas o respeito mais importante, a mim mesma, não existia. E desrespeito a mim mesma era simples: eu nunca gostei de pintar. Tirando as poucas vezes em que eu quis dar uma de “trevosa” e tentar pintar com uma corzinha “diferente”, nunca tive paciência pra pintar. É chato, às vezes os olhos ardem, é muito difícil encontrar a cor exata do meu cabelo … e eu já quase nem vejo mais a cor natural. E ele sempre foi tão bonito.

Lá se foram 11 anos, e cá estou.

IMG_20140703_190157152Faz algum tempo que eu não pinto. No início era preguiça mesmo. Como eu já disse, não gosto de pintar. Não tenho ideia da última vez que ele viu tinta. Desleixo?

Comecei a me olhar no espelho. Com os cabelos brancos cada dia mais compridos, em maior quantidade e aparecendo no topo da cabeça (antigamente ficavam mais escondidos … e eu ainda pintava), normalmente eu me sentiria mal. Feia. E desleixada. Mas eu continuei olhando … e apesar disso, apesar das pequenas acnes que voltaram, apesar da sobrancelha que não tenho tempo de fazer sempre e tá meio “errada” … eu me sinto bonita. Cada dia mais.

Porque eu me sinto livre. A liberdade é bem mais precioso e bonito que alguém pode ter. Muitos lutaram, suaram e morreram pela liberdade física. E muitos até hoje lutam pela liberdade de ser quem realmente são. Mas a liberdade é uma armadilha em nosso mundo corrompido. Então, eu sei que ainda tenho muito o que libertar, e talvez nem consiga ser livre de verdade um dia. Mas estou lutando pra isso, com toda a vontade e coragem que eu puder conquistar todos os dias.

Então (desculpe a expressão, mas eu preciso dizer): foda-se a tinta de cabelo.

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por Carol Rossetti

Talvez eu mude de ideia algum dia (espero que não). Mas ser livre é isso, mudar sempre. Por ora, chega de esconder minha cor com artifícios par a fingir o que eu não sou.

 

 

Na frente do espelho

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waterhouse_mariana_in_the_southA coisa mais fácil do mundo é olhar para o outro. Ver os vícios e virtudes de um outro alguém, julgar, defender, compreender, analisar, admirar, odiar … Fazemos isso o tempo todo. Deve ser mais uma dessas características que só os humanos têm.

Agora, olhar para si e identificar sua real essência … é a parte mais difícil. Existem algumas pessoas que só conseguem enxergar os próprios defeitos. E há aqueles que até conseguem admitir um outro defeito, os menores e mais inofensivos; mas percebem mesmo as qualidades, numa tentativa de demonstrar uma super autoestima. Muitos enxergam ambos; mas admitem todos? E quando admitem algum defeito, será que estão se espelhando no outro? Quer dizer … é um defeito porque os outros pensam assim, ou é real? E se está trabalhando para melhorar ou é fã do discurso “eu sou assim mesmo e dane-se o que os outros pensam”?

Para uma pessoa perfeccionista (considero isso um “defeito” em mim) e com dificuldade para deixar para trás os próprios erros, eu diria que sou uma Phd nesse assunto: é muuuuuito mais fácil olhar para o outro. Porque mesmo que você seja extremamente egocêntrico e satisfaça somente os seus desejos, isso não quer dizer que você está sendo generoso consigo mesmo. Nesse aspecto, ao dar vazão a todo e qualquer desejo, você perde a chance de observar a real necessidade daquilo que está adquirindo; ao dar vazão para todo e qualquer desejo, você está se mimando, se mal acostumando.

Isso ficou confuso … deixe-me falar em primeira pessoa.

Atualmente tenho 28 anos. É pouco. Mas durante quase todo esse tempo, eu pensava sempre no outro. De todas as formas. Seja buscando aprovação, seja tomando conta para o outro não errar, seja querendo ajudar, seja julgando. Bom, não sou muito diferente do resto da humanidade. Porém isso sempre me incomodou, pois a maior busca da minha vida não é amor, um emprego legal, um bom lugar para morar. Sim, são coisas que eu busco ou busquei com muito afinco. Errando, errando, aprendendo e aprendendo. Mas não é a maior busca. Por 28 anos, desde que foi-me imposta uma maturidade a qual eu não sabia onde encontrar ainda nos primeiros meses de vida, estive em busca da minha essência. Porque eu sempre fui um bocado tímida e nervosa. E me impuseram tantas coisas, falaram tanto por mim, que eu tinha dificuldade de enxergar quem eu era de verdade. O que eu gosto e não gosto? Quais são meus conceitos e preconceitos? Quais são meus reais valores?

Mas isso todo mundo que me conhece já está cansado de ouvir falar. Devo ter contado pra cada amiga, cada psicólogo, cada namorado, cada familiar. Contei para mim mesma. “Eu sou assim porque …”. Bom, eu cansei. Cansei de verdade de procurar por desculpas plausíveis para os meus erros e acertos. Não vou assumir nada aqui … talvez por um pouco de vergonha (quem gosta de falar do que não gosta em si?). Mas porque eu devo explicações em primeiro lugar para uma pessoa só: EU.

Entre meados de 2013 e início de 2014, passei por pequenas-grandes turbulências. Na época, achava que já tinha alcançando a maturidade, porém a vida me deu um cascudo e disse: “ainda não”. Mas eu sabia que estava quase lá. Sou extremamente emocional e como disse um amigo: “não se fazem mais capricornianas como antigamente” e por causa disso só eu sei o quanto é difícil fazer o que estou fazendo agora. Porém, estou feliz com minha decisão.

Neste momento estou viajando. Para o lugar mais perigoso e ao mesmo tempo interessante que alguém pode viajar: o interior. Posso dizer que estou fascinada e amedrontada com o que tenho encontrado dentro de mim. Enxergar por completo cada vício e cada virtude é a melhor e mais difícil coisa que já precisei fazer na vida. Sinceramente, me sinto orgulhosa por estar fazendo isso. Porque sendo uma pessoa com baixa auto-estima, é óbvio que acabei começando pelos defeitos. São tapas na cara diários. E que tapas! Ao mesmo tempo, tenho me feito muito carinho, muitos afagos e me dado muitos abraços. Não estou mais me dando desculpas. Mas começando e aprendendo a me perdoar. É mágico. Agora, a cada tropeço, eu paro, observo e transformo. Algumas coisas e lembranças ainda me deixam triste e me fazem chorar? Sim … mas sou só um ser humano. No entanto, agora é diferente.

Não vim ditar regras ou me vangloriar como se tivesse achado a chave da felicidade e dizer que agora sou melhor que você. Nunca serei melhor que ninguém, e nem quero isso. Quero apenas ser melhor do que fui. E foi preciso uma lista de coisas para alcançar onde estou agora e será necessário outra lista para chegar, ao menos, perto de onde quero um dia:

1) Coragem. Muita coragem.

2) Vontade.

3) Ouvir o que falavam de mim. Não como uma aceitação da visão do outro. Mas como uma informação sobre o que eu estava transmitindo para o mundo.

4) Meditação. Praticar Yoga (Chinesa, no meu caso) tem ajudado MUITO. Recomendo!

5) Dar vazão a pequenas vontades que, por vários motivos, nunca realizei. Como dançar … Eu adorava dizer que não gostava/ sabia dançar. Não sei porquê … Sempre que estava sozinha e ouvia uma música, começava a dançar (nem que fosse dentro de minha cabeça).

6) Amor-próprio. Muito amor. Amar cada detalhe. Cada tesouro e cada lixo.

Essa receita talvez não sirva para você. Mas tem servido para mim. E assim, a vida segue.

Obrigada a quem leu.

Imagem: “Mariana in the South”, John William Waterhouse (1897, óleo sobre tela).

Novo ciclo

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Arodadoano

E como tudo no Universo gira, cá estamos novamente no fim e no recomeço. Para os neo-pagãos, seja lá onde se esteja e seja lá qual período do ano se escolha, 1 de maio (Hemisfério Sul) e 31 de outubro (Hemisfério Norte) é dia de Samhaim. Quer dizer, noite. Para quem não conhece, vou colocar um resumo do texto completo encontrado aqui:

“O Samhain (pronuncia-se “sou-en”), também chamado de Halloween, Hallowmas, Véspera de Todos os Sagrados, Véspera de Todos os Santos, Festival dos Mortos e Terceiro Festival da Colheita, é o mais importante dos oito Sabbats dos Bruxos. Como Halloween, é um dos mais conhecidos de todos os Sabbats fora da comunidade wiccana e o mais mal-interpretado e temido. Samhain celebra o final do Verão, governado pela Deusa. (O nome Samhain significa “Final do Verão”.)

Samhain é também o antigo Ano Novo celta / druida, o início da estação da cidra, um rito solene e o festival dos mortos. É o momento em que os espíritos dos seres amados e dos amigos já falecidos devem ser honrados. Houve uma época na história em que muitos acreditavam que era a noite em que os mortos retornavam para passear entre os vivos. A noite de Samhain é o momento ideal para fazer contato e receber mensagens do mundo dos espíritos.”

E aqui:

“Representa o fim e o começo do Ano Celta. Samhain (pronuncia-se Sau-ein) é conhecido como a Noite Sagrada que marca o início da parte escura do ano, com a proximidade do inverno, simbolizando o fim da colheita.

Samhain significa “sem luz” ou “fim do verão”, a noite em que o mundo mergulha na total escuridão da alma, preparando-nos para a chegada das noites frias. Na Irlanda antiga, todos os anos um novo fogo sagrado era aceso, com o qual se acendiam todos os demais fogos do vilarejo para queimar durante todo o inverno, com o objetivo de levar luz através do tempo escuro do ano.

A comemoração do Ano Novo Celta é um momento misterioso que não pertence nem ao passado, nem ao presente, nem a este mundo e nem ao outro. É o momento onde os portões entre os mundos se abrem e o véu que os oculta, se torna mais tênue. Época ideal para acessarmos o Outro Mundo.

Samhain marca também o início de um novo período e um novo recomeço em nossas vidas. Homenageie a memória dos antigos preparando alimentos de sua preferência e contando suas histórias aos seus descendentes. Ao anoitecer, acenda velas nas janelas da frente de sua casa, em sinal de respeito e reverência aos antepassados de sangue, da terra e da tradição.

Os celtas praticavam rituais de purificação, queimando simbolicamente, nas fogueiras ou no caldeirão, todas as suas frustrações e as ansiedades do ano anterior. Este festival é sinônimo de quietude, introspecção e renovação – representada pela união sagrada de Morrighan e Dagda.”

Na essência, é o período do ano que anuncia a chegada do frio (mesmo no Rio de Janeiro onde cá estou) e com ele as honras aos nossos antepassados que já se foram e nos deixaram suas memórias, experiências e legados.

Então, aproveito este post para homenagear minha avó paterna. Ela se chamava Léa. Faleceu há 30 anos atrás, mais ou menos 1 e meio antes de eu nascer. Nasceu em 30 de outubro (às vésperas de Samhaim da Roda do Norte). Não a conheci, mas sem querer me deixou um legado (como lembrou minha prima Carol, fui a única da família que seguiu seus passos profissionalmente). Assim como sou hoje, ela foi professora da rede municipal. E também esteve em busca de respostas além deste mundo profano, como estou desde o dia em que renasci. Gostaria muito de ter conhecido minha avó … não só pelo que acabei de escrever, mas porque sei que foi uma mulher extraordinária, admirável e querida por todos. Sinto falta, mesmo sem ter tido tempo de conhecê-la.

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(foto “roubada” do meu tio Jorge)

Lógico que ela não foi a única pessoa que faleceu e que de certa forma fez parte da minha vida. Mas para não ser injusta e esquecer de alguém … como o meu avô materno Mario Luiz, de quem eu puxei as feições (e as orelhas de abano), e que também não pude conhecer; meu bisavô Tião e minha bisavó Lourdes, casal lindo que conheci, mas não convivi muito … ops, citei mais avôs rss. Mas têm muitos Samhains para homenagear um a um, conforme eu for buscando mais a memória deles. Escolhi minha avó Léa por ser dona da história que conheço um bocadinho mais no momento (e pelas semelhanças que fiquei super feliz e orgulhosa em ter com ela).

Um ótimo recomeço a todos!

Mulher e sangue

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O que eu mais vejo, seja pelas pessoas, nas leituras, na internet, nos filmes … são tentativas constrangedoras tentando definir o que é “ser mulher”. E dá-lhe gente choramingando afirmando o quanto as mulheres são complicadas, não sabem o que querem, que são muitas em uma, que são mães inatas, que devem fazer isso ou aquilo, ser assim ou assado …

Sério. Alguma vez, você mulher, já foi questionada sinceramente sobre quem você é?

Então vou contar um segredo: NÓS SOMOS SERES HUMANOS CARAMBA!!! Erramos, acertamos, temos desejos, gostos, desgostos, vocações, habilidades, paixões, raciocínios tanto quanto qualquer outro … ser humano. Nossa biologia tem algumas diferenças, mas é só um fato necessário na … biologia. No campo da alma, no campo da mente … somos simplesmente, humanas. E o mais interessante dos seres humanos é que somos variáveis. Cada um tem uma personalidade própria. Sendo assim, onde cabe o rótulo dentro de uma variável de bilhões de seres humanos no planeta Terra?

Nessas últimas semanas participei de um curso sobre a aplicação da História da Arte dentro da Arteterapia. Em um dos dias, uma das professoras falou algo interessante: dentro de um mundo em que a cada dia nos distanciamos mais e mais do primitivo, do animalesco, e criamos uma identidade humana longe o bastante do instinto, a mulher ainda mantém um vínculo com esse lado instintivo através da menstruação.

Nós somos amadas e temidas. Em civilizações muito antigas, tínhamos muitas deusas. E dentre elas, a Grande Mãe: aquela nos dá a vida, aquela que nos sustenta e aquela que nos recebe de volta quando chega o nosso fim. Mas o feminino (não o gênero, o arquétipo, o símbolo, o princípio) é emocional, é animal, é puro instinto. E isso assusta. Porque como o ser humano vai alcançar o ápice da Razão e da disciplina sendo igual o animal?

Muitas foram queimadas. Muitas são queimadas pelas línguas ferinas e corpos monstruosos. E habitualmente, diariamente, somos julgadas, ameaçadas, rotuladas e aprisionadas.

Tem um tal ginecologista (que prefiro nem citar o nome) que começou a vomitar em programas matinais que a menstruação não é natural. Ele alega que nos tempos “das cavernas”, as mulheres ainda (?) eram próximas dos animais e procriavam sempre. Sendo assim, seus corpos não tinham tempo de menstruar. Além disso, diz que a menstruação é inútil, pois é um material não utilizado sendo jogado fora mensalmente, tem a TPM e a cólica e não entende porque muitas mulheres ainda não interromperam seus sangramentos.

Meu caro “doutor”, só tenho duas coisas para te dizer:

1) Mas é CLARO que a menstruação é natural. Eu não recorro de um artifício para sangrar todo mês, meu corpo produz esse sangue de forma total e absolutamente natural. Se eu tomasse hormônios ARTIFICIAIS todos os dias para parar de menstruar, aí sim eu lutaria contra a natureza.

2) TPM e cólicas são reais. Mas só incomodam porque vivemos em um mundo que nos cobra o TEMPO TODO. Inventaram que temos que nos tornar mulheres maravilhas e ser tudo ao mesmo tempo: mãe, esposa, trabalhadora, dona de casa, etc, etc. MAS NÓS PODEMOS ESCOLHER O QUE FAZER DE NOSSAS VIDAS!! Sabe aquela dor de barriga horrível quando estamos estressados? Imagina tendo um útero (que fica na mesma região de órgãos que atuam na dor de barriga) junto?

Falando em menstruação, porque essa necessidade de sentir nojo do nosso sangue? Sério … praticamente todos os seres vivos da face da terra tem fluídos. Sangue é vida, precisamos dele. Ele corre nas veias de mulheres e de homens. Então qual o problema em falar sobre menstruação? É só sangue …

Esse texto começou arrumadinho e terminou exaltado. Ele é similar a centenas de outros. Mas sinceramente … enquanto for necessário bater nessa tecla, textos assim continuarão a serem escritos.

Bom fim de semana. E às mulheres, bom ciclo!

 

[peguei a imagem aqui e não sei quem a criou]

Devaneios sobre evolução

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Passei minha vida me procurando, tentando descobrir quem sou eu de verdade. Ainda procuro, na verdade. E sei que vou continuar fazendo isso até o dia em que eu precisar deixar esse mundo.

Acho que todo mundo faz isso. Não conheço muitas pessoas que estejam verdadeiramente satisfeitas e felizes do jeito que são. E estão todos procurando essa tal satisfação, o tal sucesso absoluto onde nada mais será necessário.

Me pergunto se esse é o caminho certo? Se temos várias vidas passadas e futuras (e acredito nisso) onde uma evolui para a outra, porque temos que nos cobrar tão rigorosamente para chegarmos à perfeição (ela existe?) AGORA? Será que o ideal não é nos tornarmos melhores em pequenos passos, um pequeno objetivo de cada vez?

Não estou dizendo para ninguém desistir de sonhos ou grandes objetivos na vida, como se tornar um super herói com super poderes. Tem nada a ver com isso o que estou escrevendo.

O que eu quero falar é sobre os erros. Porque nos sentimentos incapazes quando erramos? Os “erros” e os “defeitos” foram criados para aprendermos com eles. Então se você explodiu seu laboratório quando tentava descobrir a cura para o câncer, tenta de novo. Só existem duas regras: não prejudique a si e nem ao outro. E aí você continua.

Estou falando isso tudo principalmente para eu mesma. Sou a pessoa que mais se cobra que conheço. Sol em Capricórnio, Ascendente em Libra e Lua em Touro são o suficiente para entender que erros de percurso não são passados desapercebidos MESMO pela minha cabeça. Mas não tem problema. Isso faz parte de mim e me ajuda a me tornar alguém melhor a cada dia. Inclusive sobre me esforçar para não me cobra tanto. Sou humana … nós erramos.

 

Quase não tenho mais ouvido músicas assim. Mas conversar com a nossa Sombra é muito importante para entendermos quem realmente somos. E a letra dela é linda.

How Fortunate the Man with None

You saw sagacious Solomon
You know what came of him,
To him complexities seemed plain.
He cursed the hour that gave birth to him
And saw that everything was vain.
How great and wise was Solomon.
The world however did not wait
But soon observed what followed on.
It’s wisdom that had brought him to this state.
How fortunate the man with none.You saw courageous Caesar next
You know what he became.
They deified him in his life
Then had him murdered just the same.
And as they raised the fatal knife
How loud he cried: you too my son!
The world however did not wait
But soon observed what followed on.
It’s courage that had brought him to that state.
How fortunate the man with none.

You heard of honest Socrates
The man who never lied:
They weren’t so grateful as you’d think
Instead the rulers fixed to have him tried
And handed him the poisoned drink.
How honest was the people’s noble son.
The world however did not wait
But soon observed what followed on.
It’s honesty that brought him to that state.
How fortunate the man with none.

Here you can see respectable folk
Keeping to God’s own laws.
So far he hasn’t taken heed.
You who sit safe and warm indoors
Help to relieve out bitter need.
How virtuously we had begun.
The world however did not wait
But soon observed what followed on.
It’s fear of god that brought us to that state.
How fortunate the man with none.